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terça-feira, 6 de setembro de 2011

Rubra Angústia

É tão tarde, tão frio no meu relógio as horas sangram segundo a segundo infinitamente
Abro os olhos na escuridão, os vultos da noite me assombram, estou só e assustado
Entre paredes e espinhos tento consolar minhas lágrimas apressadas, afiadas, enigmáticas
Dói tanto que meu corpo anestesiado quase não sente as feridas na pele, a morte rainha do fim me seduz e eu estou indo...

Meus passos arrítmicos gastam a calçada inteira rapidamente, já não há caminho
Ligo o rádio, vejo as fotos do passado tiradas no presente, são apenas parte de minhas ilusões
Meu sangue é ofegante, intranquilo, é o mesmo sangue vermelho-guerra que corre em tuas veias
Caio nos olhos distraídos de um céu nublado, de nuvens carregadas de revolta, chove sem cessar sobre mim e a morte rainha do silêncio me seduz e eu estou indo...

E a noite não vai mais amanhecer, não quero mais acordar se por acaso eu adormecer
A esperança foge do meu coração que palpitando lentamente se apressa, conserta e se quebra
Não há nada aqui a sala está vazia, o portão está fechado, a ventania bruscamente movimenta as janelas da minha casa
Rubra angústia percorre todo o meu corpo, meu sangue, assim aporta no meu pensamento vago, viajante e a morte rainha da segregação me seduz e eu estou indo...

Não tenho testamento, não tenho legados, não deixo importâncias, só umas poucas palavras
Quem sabe Deus me transforme em anjo, numa onda do mar, ou uma brisa suave se merecimento eu tiver
Me permito longe, ver-me disperso, ilimitado no espaço vazio do horizonte colorido
Melhor não chamar, nem ligar a luz, o brilho já secou, a chama se apagou e a morte rainha do infinito me seduz e eu estou indo...

Ana Maria

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